353. Os Vingadores

terça-feira, 1 de maio de 2012
Postado por Selton Dutra Zen


(Mediano)

Quem me conhece, sabe que não sou uma pessoa que possa ser proclamada como admirador de filmes de super-herói. Não que eu os exclua de meu repertório fílmico, mas simplesmente não dou muita preferência. Isto pode, sim, ter feito com que eu desgostasse em parte deste mais novo sucesso da Marvel, embora não justifique inúmeros problemas que "Os Vingadores" possua.

A trama gira em torno do encontro entre os mais famosos heróis da Marvel Comics (Thor, Capitão América, Hulk, Homem de Ferro, Gavião Arqueiro e Viúva Negra), postos lado a lado (sob o comando de Nick Fury) para salvar o mundo de Loki, vilão original de Thor, que, após roubar uma substância capaz de destruir a Terra por completo, pretende entregá-la a uma raça alienígena, em troca do controle total e soberano de nosso planeta. O que se segue, então, é um festival de cenas de ação muito bem orquestradas que configuram um dos maiores méritos da projeção. 

Porém, "The Avengers" encontra seu coração no sexteto de heróis. Poucas vezes assisti um filme onde os super-heróis estivessem tão brilhantemente entrosados uns com os outros. E, como se isto não bastasse, cada qual complementa o seu próximo. Thor está mais poderoso que nunca. Capitão América, um dos heróis mais desnecessários, apagados e vazios que conheço, se transforma em uma figura considerável e relevante. Viúva Negra (heroína que ainda não conhecia e fui tão bem apresentado por este longa), além de ser a melhor personagem do filme, ainda completa todas as outras figuras ao seu redor. O Homem de Ferro, por sua vez, está mais carismático, divertido e inspirado que nos seus dois filmes próprios. E, por fim, Hulk, embora seja caracterizado com a aparência do filme de Ang Lee (que, por natureza, soa bem menos aterrorizante que a de "O Incrível Hulk") se configura no patamar de personagem mais horrendo de todo o filme. Consequentemente, a junção de todas essas cinco personalidades tão bem criadas só poderia resultar em cenas muito divertidas, certo? Em parte sim. Algumas situações propiciam alívios cômicos precisos e inspirados que cuidam de divertir o público no intervalo entre uma sequência de ação e outra. Contudo, esse mesmo roteiro que emprega gags interessantíssimas erra, vorazmente, na construção de diálogos expositivos e, principalmente, frases de efeito (quase sempre proferidas por Fury - interpretado por Samuel L. Jackson). Claro que o demérito das frases enfáticas não recai somente sobre o script, mas também sobre a horrorosa performance de J. Jackson que apenas confere mais artificialidade às frases já forçadas por natureza.

Felizmente, a única atuação que possa ser classificada como péssima é a do veterano Samuel, já que o resto do elenco está afiado e sintonizado. Há tempos não presenciava uma Scarlett Johansson (Viúva Negra) tão inspirada, ou um Downey Jr. (Homem de Ferro) tão positivamente esnobe. Corroborando também para o êxito do cast, Mark Ruffalo só comprova o quanto evoluiu nos últimos anos. Apesar de não desempenhar um trabalho tão bom quanto sua estupenda performance em "Minhas Mães e Meu Pai", não deixa a desejar ao interpretar seu papel, ao meu ver, melhorando o trabalho que Eric Bana realizara.

Porém, o que faz este filme necessitar de uma tela grande, uma sala escura e um som potente é a sua qualidade técnica. Dotado de efeitos visuais deslumbrantes, que dificilmente passarão despercebidos ao Oscar 2013 nesta categoria, uma mixagem de som poderosa, minimalista e impressionante e um ótimo 3D - que só acrescenta mais diversão e emoção às cenas de batalha -, este mais novo exemplar da Marvel Studios PRECISA de todo este aparato para poder ser sentido e contemplado. Embora algumas vezes fique bem difícil de fazê-lo, mesmo em uma sala de cinema.

Portanto, numa visão macro, "Os Vingadores" é isto. Cheio de altos e baixos, erros e acertos. Prometia ser "O" filme de super-heróis do ano mas não, é apenas mais um exemplar genérico e medíocre deste tema.

Gênero: Ação/Aventura
Duração: 134 min.
Ano: 2012

4 comentários:

Anônimo disse...

que bosta de comentário ein. amigo, você falando parece que não conhece a história que vem la de trás, nos quadrinhos. Capitão América, desde sempre é o comandante dos heróis e você fala que ele é imbecil. Faz favor querido

F. disse...

Cara, não diria "genérico e medíocre". Só sinto que o filme não foi mesmo Perfeito (5 estrelas, nota 10), e que esse termo foi muito mais usado por fãs que realizaram seu sonho de sempre do que por pessoas que não foram já com essa piração toda.

Acho a segunda parte (depois da transformação de Hulk) muito boa como suplemento no roteiro e maquiagem dos defeitos de ritmo e coesão.
Hulk foi o ponto principal dessa segunda parte e desse retoque, justificando dignamente toda a expectativa que o longa e o grupo formam ao redor dele desde o princípio.

Viúva Negra foi bem (menos "A Viúva Negra" do que no segundo Homem de Ferro, mas ok); Gavião Arqueiro (novamente pouco explorado) foi legal; Capitão América ainda precisa de reparos mas evoluiu um bocadinho; Homem de Ferro ficou tão bom e genioso quanto nos filmes (Apesar desses mesmos filmes serem bem na média); Thor simplesmente correspondeu ao seu drama pessoal e às necessidades do filme e da equipe; Fury ficou no canto e foi quase dispensável como guia do conjunto (Sinto dizer isso); e Hulk foi o maior destaque por estar mais próximo de seu potencial, ser representado como Banner por um roteiro e ator na medida, alcançar outro nível de evolução como personagem e ser a grande figura - com direito à traços de ironia e inteligência, do tipo que só rolou por um tempo nas revistas de 97, 98... escritas por um cara chamado Peter David (maior fonte do filme de Ange Lee).

Eles condensaram de forma boa, mesmo levando "peças em reparo" pros próximos longas e pra continuação, o projeto "Entretenimento + Realização Nerd".

Cheguei a dar 4 estrelas por esse conjunto, olhando bem, e passei pra 4,5 por causa do encerramento, do respeito com o Gigante Esmeralda e pelas cenas excelentes de embate final para o que chamam "Clichê".

Anônimo disse...

Quanta pedancia em um comentario só?
Pra desgostar desse filme, só sendo muito mau-humorado, com certeza antes de falar tamanha asneira voce devia procurar se informar, lendo os quadrinhos.

ligadona disse...

Nossa! Esse é o melhor filme de super heróis que eu já vi! Mas concordo com você que o Samuel L. Jackson estava bem fraquinho nesse filme, mas não deixou de marcar o longa.
=1