319. Belair

sábado, 9 de julho de 2011
Postado por Selton Dutra Zen


(Mediano)

Após assistir a este documentário, ainda continuo a defender a idéia de que os filmes experimentais que Júlio Bressane e Rogério Sganzerla realizaram na produtora Belair extrapolaram a tênue linha entre a arte e o inaceitável. Certo que filmes experimentais, como o próprio nome já denota, devem ousar, experimentar, criar coisas absurdas, e apoio esta iniciativa, mas acho difícil de acreditar que uma pessoa em sã consciência classifique os filmes destes dois diretores como obras de arte. Experimentais sim, mas obras de arte... tenho minhas dúvidas!

Sou aspirante a diretor (já dirigi alguns curtas vergonhosos!), sei o que é ousar, e sei a dificuldade de ser fazer um filme sem dinheiro nenhum, mas sempre consegui discernir o que é aceitável do que não é, e principalmente, o que é arte do que não é! Filmar o, conhecido popularmente por Zé Bonitinho, pulando e gritando com uma escova de dentes gigante na mão, não é arte!

Enfim, posso estar completamente equivocado quanto a minha colocação, respeito quem gosta das obras de Bressane e Sganzerla, mas como o objetivo de uma crítica é expor a opinião sincera do redator, não consigo conceber que seus filmes sejam arte. Com certeza são frutos da boa vontade e do esforço de duas pessoas que amam cinema, mas não são bons!

Todavia, é inegável a importância destes filmes, bem como da própria produtora Belair para o cinema nacional, consequentemente, este documentário, que narra os bastidores por trás da criação da produtora e da produção de seus filmes, se revela um filme importante, por explorar um lado não tão comentado da indústria cinematográfica nacional, e interessante para qualquer cinéfilo, gostando ou não dos filmes trash da produtora já referida.

Mas "Belair", é bom? É uma montanha russa que intercala entre ótimos momentos, e outros não tão bons assim, resultando em um filme mediano. Acerta muito ao resgatar as gravações e bastidores dos filmes B dos dois diretores, mas erra quanto às entrevistas, que são mal exploradas e constantemente deixadas em segundo plano, e peca também em sua própria concepção fílmica, uma vez que este filme tem dificuldades em manter um ritmo interessante para um documentário. Não tenho nada contra filmes lentos (em algumas vezes, eles até são meus preferidos!) porém um documentário necessita de uma forte interação entre os arquivos registrados e o filme em si, o que não acontece aqui em "Belair", caracterizando assim, o maior erro deste longa! Aliás, "Belair" parece ser dois filmes unidos numa mesma projeção. Um filme (o bom) resgata algumas raridades do cinema brasileiro e as expõe ao público, e o outro filme (o ruim) é uma tentativa fracassada de agrupar entrevistas e afins acerca do outro filme. Consequentemente, os dois se anulam, resultando em uma montanha russa de ótimos e péssimos momentos, um filme bem mediano!

Gênero: Documentário
Duração: 80 min.
Ano: 2011

2 comentários:

disse...

Olá! Adorei seu blog, muito criativo! Também tenho um blog e gostaria que vc desse uma olhada. O endereço é: http://www.criticaretro.blogspot.com/ Passe por lá! Lê ^_^

Selton Dutra Zen disse...

Caros leitores, pela primeira vez venho me desculpar por um texto que redigi neste blog. Obviamente, me refiro a esta publicação ("Belair"), onde desmereci o trabalho dos cineasta Bressane e Sganzerla, tendo um breve (muito pouco) conhecimento de seus trabalhos, seus estilos e suas carreiras.

Porém, após conferir "Sem Essa, Aranha!" (de Sganzerla) é que consegui compreender o motivo de os filmes desses diretores terem sido realizados do modo como o foram. Todo o baixo orçamento, a falta de cuidado com a produção, os elementos pavorosos... tudo isso é proposital. Visando somente o rompimento do estilo clássico de se filmar, caracterizando o sub-movimento, Cinema Marginal. Com isso, retiro todas as críticas que fiz à estes profissionais neste post.

De resto, minha opinião acerca do documentário sobre a produtora Belair, continua o mesmo.

Assim, peço desculpas pela minha imprudência no momento em que escrevia este texto.

Obrigado!