287. Possessão

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Postado por Selton Dutra Zen

Confesso que o único e exclusivo motivo pelo qual eu assisti "Possessão" foi pela curiosidade de saber como era o tal monstro tentacular prometido nas sinopses que lia sobre este filme. E devo dizer que é um dos monstros mais sem graça que vi nos últimos tempos (sim, somente este ano assisti a este filme). Dirigido por Andrzej Zulawski (ganha um doce quem conseguir ler este nome), "Possessão" conta com um roteiro absolutamente perturbador. Cheio de metáforas, muitos podem até descriminá-lo pelo fato de constantemente vermos os atores sendo expostos ao extremo em interpretações macabras, que confesso, chegaram de certo modo a me incomodarem, mas analisando pelo lado positivo, proporcionaram grandes interpretações de um elenco composto por duas pessoas tão talentosas, que nas cenas em que contracenam e atuam, nos causam um desconforto inexplicável, e levando em conta que eles interpretam os personagens principais, o desconforto se mantém, do início ao fim da projeção. São eles: Sam Neill, em início de carreira, que mais tarde será chamado por Steven Spielberg para interpretar seu personagem mais famoso, o Dr. Alan Grant, no primeiro e no terceiro filme da série "Jurrasic Park". Mas é Isabelle Adjani que se sobressai até mesmo a Neill. E se Neill possui uma ótima atuação, Adjani nos deixa de queixo caído toda vez que entra em cena. Este é o primeiro e único filme que eu assisti, em que ela atuou, mas já foi suficiente para virar fã da mesma. Ela constrói uma personagem tão complexa e intrigante, que é difícil até descrever em palavras. Adjani equilibra entre momentos extremamente tensos, variando, em questão de segundos, para momentos de riso (por parte dela, não do espectador), revelando um conflito psicológico tão extremo que chega a arrepiar! Vale ressaltar a cena em que ela fica possuída no túnel do metrô. Este é o ápice do filme para mim. Esta é uma cena tão perturbadora que mal conseguimos ficar vendo! Na verdade, os personagens e os seus respectivos atores sendo expostos ao extremo é uma constante em "Possessão". Mas, em contrapartida a estes pontos positivos, proporcionados, não só pelo roteiro, mas também pela direção de Zulawski, e pelas atuações de Neill e Adjani, o roteiro peca por começar objetivo, direto, mas, com o decorrer dos minutos, vai se tornando cansativo e arrastado. O corte de uns 10 minutos de filmes cairia muito bem. Além disso, faltou a "Possessão", ser mais ousado, mais polêmico. Cenas que poderiam provocar um grande impacto no público (como a cena de sexo entre o monstro e Isabelle), acabam não chocando como deveriam. Uma exceção ao que acabei de dizer é a cena da possessão no túnel do metrô. Talvez com 10 minutos a menos, e cenas mais chocantes, mais explícitas, "Possessão" se sairia muito melhor. Aqui, Sam Neill interpreta um homem, que decide investigar com quem sua mulher o está traindo, e descobre que a mesma mantém relações amorosas e sexuais com um monstro.


(Mediano)

Gênero: Suspense
Duração: 123 min.
Ano: 1981

1 comentários:

Kahlil Affonso disse...

é um filme bastante estranho... mas com atuações incríveis!

http://filme-do-dia.blogspot.com/